terça-feira, 31 de julho de 2012

Espanha: o novo retrato da crise social


  30 DE JULHO DE 2012


Desocupação bate em 24,6%, índice mais alto de todos os tempos. Um em cada dois jovens até 25 anos não tem trabalho. Em 1,7 milhão de famílias, todos os membros perderam rendimento regular
Na Agência Prensa Latina
Um relatório da OCDE apresenta a nação ibérica como o caso mais dramático de desemprego na União Europeia (UE) e adverte que em 2013 o índice de desocupação deve chegar a 25,4%.
O Instituto Nacional de Estatísticas (INE) confirmou que o número de desempregados representa já o índice máximo desde 1976, depois do final do regime do ditador Francisco Franco.
Os desempregados somam 5,7 milhões, número que representa um crescimento de até 24,63%, em relação aos 24,44 no fim de março. O setor juvenil é especialmente afetado pois, apesar das habituais contratações da temporada turística, as pessoas entre 16 e 24 anos sem trabalho eram 53,27% dessa população em junho, contra os 52,01 de março, foi divulgado.
A crise coloca os espanhois perante uma tragédia, pois segundo o INE o número de moradias onde todos os membros estão sem trabalho chegou a 1.737.600. Em uma nação em crise, o ritmo de crescimento dos desempregados no segundo trimestre pode representar alguma esperança em relação ao primeiro: entre abril e junho 53.500 pessoas perderam seu emprego, bem menos dos 365.900 entre janeiro e março.
A campeã foi a construção civil, com queda de 40.500 empregos; no setor de serviços foram demitidas 84.500 pessoas menos que no primeiro trimestre; mas em contraste, o desemprego na indústria aumentou em 23.500 e na agricultura em 11.400.
Mesmo assim as perspectivas para o futuro não são muito alentadoras, dentro da política de cortes neoliberais do governo do premiê Mariano Rajoy, que pretende reduzir o déficit fiscal às custas dos compromissos sociais. Na segunda feira (30) serão divulgadas informações sobre o PIB, e as expectativas são pessimistas. Os prognósticos do Banco da Espanha indicam que o segundo trimestre registrou uma queda ade 0,4% do PIB, maior do que recuo de 0,3% registrado em março.
Sobre a situação global, o mexicano Ángel Gurría, secretário geral de OCDE, explicou que o desemprego tem agora uma característica diferente devido a longa duração de seis meses e, em muitos casos, mais de um ano. Há o risco de que estas pessoas se desvinculem do mercado de trabalho. Jamais tínhamos enfrentado esses desafios, disse ele .

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